Quem conheceu a antiga Caucaia sabe que algumas histórias não estão escritas nos livros, mas permanecem vivas na memória de quem as testemunhou. E uma das lembranças mais marcantes era a tradicional Festa de Agosto, quando o centro da cidade se transformava e a praça recebia famílias, comerciantes, brinquedos e as antigas bancas que, anos depois, seriam conhecidas como barracas.
Naquele tempo, as famílias chegavam carregando mesas de madeira, algumas cadeiras e uma verdadeira "reca de menino". As crianças brincavam pela praça com seus carrinhos de lata, puxados por tiras de pano, até o sono chegar. Não era raro alguém adormecer debaixo das mesas enquanto os adultos continuavam a festa.
As bancas tinham de tudo. Douradinha, Colonial, Cinzano, zinebra e vinho de jurubeba eram algumas das bebidas. Copo descartável não existia: as doses eram servidas em copos de vidro, lavados em uma lata com água que também servia para pratos, xícaras e outros utensílios.
A comida era um capítulo à parte. Cajá, seriguela e cajarana acompanhavam os encontros. Havia caranguejo, nambu assado, piaba torrada, carapeba frita, ovos cozidos e camarão sossego. Mas uma das maiores atrações era a tapioca com passarinha, preparada na hora. O cheiro se espalhava pela praça e funcionava como convite para quem passava.
Também havia as bancas de café, bolo e comidas tradicionais. Bolos de carimã, batata, macaxeira e milho, além de pamonhas, canjicas, bejús e tapiocas, faziam parte daquele verdadeiro mercado de sabores.
E quem nunca viu o vendedor de rolete de cana trabalhando na hora? A cana era descascada, cortada e colocada em pequenos espetos improvisados para facilitar o consumo. Ao lado, máquinas de algodão-doce giravam sem parar. A maçã do amor brilhava coberta pela calda colorida, enquanto a uva açucarada aparecia como uma alternativa mais barata.
Naquele tempo, as famílias chegavam carregando mesas de madeira, algumas cadeiras e uma verdadeira "reca de menino". As crianças brincavam pela praça com seus carrinhos de lata, puxados por tiras de pano, até o sono chegar. Não era raro alguém adormecer debaixo das mesas enquanto os adultos continuavam a festa.
As bancas tinham de tudo. Douradinha, Colonial, Cinzano, zinebra e vinho de jurubeba eram algumas das bebidas. Copo descartável não existia: as doses eram servidas em copos de vidro, lavados em uma lata com água que também servia para pratos, xícaras e outros utensílios.
A comida era um capítulo à parte. Cajá, seriguela e cajarana acompanhavam os encontros. Havia caranguejo, nambu assado, piaba torrada, carapeba frita, ovos cozidos e camarão sossego. Mas uma das maiores atrações era a tapioca com passarinha, preparada na hora. O cheiro se espalhava pela praça e funcionava como convite para quem passava.
Também havia as bancas de café, bolo e comidas tradicionais. Bolos de carimã, batata, macaxeira e milho, além de pamonhas, canjicas, bejús e tapiocas, faziam parte daquele verdadeiro mercado de sabores.
E quem nunca viu o vendedor de rolete de cana trabalhando na hora? A cana era descascada, cortada e colocada em pequenos espetos improvisados para facilitar o consumo. Ao lado, máquinas de algodão-doce giravam sem parar. A maçã do amor brilhava coberta pela calda colorida, enquanto a uva açucarada aparecia como uma alternativa mais barata.
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A festa também reunia gente de várias partes do município. Muitos comerciantes ficavam hospedados na casa de parentes ou padrinhos e guardavam seus materiais nas áreas das residências. Quando chegava a última noite, a praça ficava tomada. Era banca para todos os lados, brinquedos, encontros, paqueras e gente circulando durante toda a madrugada.
Ao amanhecer, ficavam as marcas da noite: lixo espalhado, meninos procurando objetos deixados pelos descuidados e os garis chegando com suas pás e vassouras de palha para devolver a praça à rotina.
Depois da noite de festa, vinha a procissão. A cidade se enchia novamente para acompanhar a manifestação de fé. No retorno à igreja, aos poucos a multidão se dispersava. O sonho de agosto chegava ao fim.
No dia seguinte, restava caminhar pela praça e reconhecer os espaços onde, poucas horas antes, havia bancas, brinquedos, música e multidões.
E então vinha aquela sensação difícil de explicar: saudade.
Saudade de uma Caucaia mais simples, das famílias reunidas, dos sabores, das brincadeiras e de uma festa que fazia a cidade inteira esperar por agosto.
E talvez fosse justamente essa a magia daquele tempo: quando a festa acabava, ninguém queria apenas que ela voltasse. Todos começavam a contar os dias para o próximo agosto.
Ao amanhecer, ficavam as marcas da noite: lixo espalhado, meninos procurando objetos deixados pelos descuidados e os garis chegando com suas pás e vassouras de palha para devolver a praça à rotina.
Depois da noite de festa, vinha a procissão. A cidade se enchia novamente para acompanhar a manifestação de fé. No retorno à igreja, aos poucos a multidão se dispersava. O sonho de agosto chegava ao fim.
No dia seguinte, restava caminhar pela praça e reconhecer os espaços onde, poucas horas antes, havia bancas, brinquedos, música e multidões.
E então vinha aquela sensação difícil de explicar: saudade.
Saudade de uma Caucaia mais simples, das famílias reunidas, dos sabores, das brincadeiras e de uma festa que fazia a cidade inteira esperar por agosto.
E talvez fosse justamente essa a magia daquele tempo: quando a festa acabava, ninguém queria apenas que ela voltasse. Todos começavam a contar os dias para o próximo agosto.